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Essa
tal mudança de época provoca tantas “mudanças”, mas em alguns casos a tão
poderosa, se torna frágil e impotente. Como é possível que ela não consiga
arrancar do meio da nossa sociedade, o marasmo do povo e a falta de escrúpulos de
quem o governa? É tanta gente “orando”, bradando aos céus, fazendo as mais
deprimentes penitências para pagarem seus pecados e as coisas parecem cada vez
piores.
Estamos
prestes a iniciar o nosso campeonato brasileiro
de “caça ao voto”, alguns, que já cavalgam há muito tempo sobre o lombo
deste povo “masoquista”, nem esperaram o tiro da largada, já apertaram os
cabrestos, carcaram as esporas e por se considerarem acima de Deus e da lei, saíram
em disparada. Outros, que poderiam ser a alternativa, se abocanham, tentando
eliminar concorrentes que poderiam estragar a sua vida de lobo em pele de
cordeiro.
Antes
a gente se orgulhava de trocar o nosso voto por um quilo de arroz, a promessa
de um lugarzinho na câmara de vereadores ou quem sabe fazer parte da multidão
dos injustamente remunerados da prefeitura. Hoje, a gente se contenta em ouvir
discursos inflamados, de nos emocionarmos com as lágrimas de crocodilo
derramadas em palanques, e depois nos deliciarmos com a bizarrice do dinheiro na
cueca, no sutiã, e achamos de uma criatividade, que supera Steven Spielberg, o
momento de “louvor e glória” em agradecimento pelo dinheiro ganhado na
corrupção.
Enquanto
atacamos a cachoeira, o rio continua correndo caudaloso e abundantemente alargando
seus leitos de corrupção na administração dos bens públicos. Enquanto no areópago
da estupidez popular, os bobos das cortes se encantam com a crueldade que
se faz com os demóstenes, hospitais são sucateados,
postos de saúde não funcionam, a educação caminha em queda livre para a
decadência. Saem os valores morais, os crucifixos dos lugares públicos e entram
as armas pesadas e nas favelas e nas periferias, ao mesmo tempo em que as
drogas correm soltas nas rodas de malandragem da alta burguesia.
Entra
o estado laico e sai o estado de direito. E a gente continua em contagem regressiva
para o primeiro pontapé rumo às urnas, que cegas e frias recolhem os votos
obrigatórios de cabresto em “laranjas”, “abacaxis” e “bananas”, frutas de
quinta, que recheiam a linda cesta de dos donos da terra, do poder e da vida do
povo.
Daqui
a pouco as cortinas dos meios de comunicação se abrirão para o desfile macabro
de rostos conhecidíssimos e de outros que de tão feios não nos arriscaríamos a
confiarmos o nosso voto a eles. Sem opção, repetimos a dose do veneno que
tomamos há quatros anos, somente que agora, muito mais fortalecido, pois foi
reforçado no laboratório do embrolho, do engodo e da aventura maquiavélica de
legislar e governar.
O que
fazer?
Aguarde
os próximos capítulos. Quem sabe a gente consegue apresentar um melhor layout para
as eleições 2012. Mas você pode opinar. Se você está de acordo bata palmas para
este discurso, mas se você acha que ele é paranoia, goze a cântaros dando lhe
uma estrondosa vaia.
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