quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A MULHER DA BRECHA

Sempre se falou do Homem da Brecha! O triste acontecimento do Haiti revelou que é do Brasil a Mulher da Brecha! Dona Zilda Arns, conhecida mundialmente, mas pouco comentada até hoje dia 14, de repente se torna o foco dos noticiários de todos os canais de comunicação. Há mais de 1200 soldados brasileiros, 11 dos quais morreram na mesma catástrofe, mas a gente sabe muito pouco sobre eles.


O Brasil inteiro desde os barracos mais recônditos da Amazônia aos luxuosos apartamentos das grandes metrópoles conhecem e sabem quem foi Dona Zilda. Ela é a verdadeira brasileira. Onde os poderes constituídos não conseguiram chegar com a sua técnica e burocracia ela chegou com uma pitada de sal e outra de açucar em um litro d'água e salvou milhares de vida. Onde morriam tantas parturientes por falta de conhecimentos e cuidados pré-natais, as voluntárias da Pastoral da Criança, fundada por Dona Zilda chegaram e transformaram a ameaça de morte materna em sorrisos de alegria e acolhida de tantas novas vidas.


Somos um povo pra lá de emotivo e as lágrimas que derramarmos por Dona Zilda, serão um misto de tristeza e orgulho de termos como conterrânea uma mulher que não mediu esforços para fazer acontecer e proteger a vida. Um verdadeiro símbolo da Mulher Brasileira, mãe de cinco filhos, como a multidão de mães brasileiras, não se fechou no seu reduto familiar, mas ampliou sua família estendendo-as aos desvalidos deste Brasil maravilhoso.


Ainda bem que neste país a maioria das pessoas têm um pouco de Dona Zilda. Quando a gente pensa em se envergonhar desta terra de meieros e cuequeiros, imorais, escandalosos e indecentes, percebemos que de um desastre natural tão grande, fora da própria terra, surge uma pessoa que faz de nós um povo guerreiro, teimoso e que não desiste nunca. Dona Zilda morre como sempre procurou viver, entre os mais pobres. Onde havia uma vida a ser cuidada, lá estava ela ou as suas voluntárias. É isso mesmo, este país é de gente grande, honesta, decente, ética.


Dona Zilda, aos seus companheiros de viagem para a casa do Pai eu peço que tenham um eterno descanso, mas a você peço um trabalhinho a mais: lá de perto do Senhor, interceda por nós, povo brasileiro para que não percamos de vista o que você nos ensinou com a sua vida e nos educou com a sua morte.


Os grandes da terra não lhe deram o Prêmio Nobel da Paz, mas os pobres de Javé lhe coroam com um título muito maior: ZILDA ARNS, lhe nomeamos a nossa Mestra e Guru, você é a Brasileira, MULHER DA BRECHA!