quarta-feira, 1 de julho de 2015

UMA PÁTRIA EDUCADORA SE CONSTRÓI COM RESTOS

   O mundo vive uma realidade muito complexa, aliás, nascer humano é já um certificado de ser complexo. A atual situação em que vivemos nos pede muita racionalidade e uma
capacidade gigantesca de compreender. Os caminhos que estamos percorrendo como mulheres e homens de uma época diagnosticada como em processo de mudança, exigem de nós perspicácia, competência e conhecimento, para caminharmos mais ou menos em segurança. E falando em segurança, não quero de modo algum me referir à segurança física, quero falar de segurança antropológica, ou seja, a certeza de que a humanidade segue em direção a um rumo certo, que lhe garante chegar a um porto seguro, onde se possa contemplar a vida com todas as sua nuances, sem arrependimentos por não ter vivido o bastante e de modo coerente com o que se projetou.
    Nestas semanas, tive a oportunidade de acompanhar dois momentos políticos muito fortes: o Seminário Municipal sobre o Plano de Educação, aqui do Município de Batayporã e a votação da PEC 171, na Câmara Federal, do primeiro participei ativamente e vi quanta esperança existe na população em busca de uma educação, que seja de verdade humanizadora e geradora de cidadãos e cidadãs com dignidade; já da segunda, a PEC, acompanhei como pude e até onde foi possível, todas as construções e desconstruções em relação à maioridade penal. Sinceramente ainda não compreendi o porquê de duas coisas:
1   1. Por que a gente tem que desconstruir uma coisa, que a natureza plasma, os sexos macho e fêmea;
     2. A quem interessa prender adolescentes de 16 anos, já que os argumentos, que se usa para justificar a redução da maioridade para este patamar, terão que usa-los daqui a alguns anos para patamares mais inferiores.
    A coisa interessante é, que enquanto se discutiam estes dois temas, os municípios, os
mesmos, que compõem a Pátria Educadora, transportam os “filhos e filhas desta Pátria” em condições desumanas, para escolas que se encontram em situação deprimente; e lá em Brasília, os homens e mulheres que defendem a PEC 171, votaram um índice elevadíssimo, para o judiciário. Pode até ser coincidência, mas é no mínimo curioso, que isso esteja acontecendo assim.

Outra coisa, que me inquieta e ver a passividade das vítimas, os munícipes eleitores, que escolheram estes tipos de gestores e legisladores: passivos, entregues ao destino, regido por seus representantes, homens e mulheres ávidos em favorecerem a si próprios, com os deveres que lhe foram confiados em favor do bem-estar da nação. O governo federal diz que o dinheiro para a educação foi liberado para os transportes dos estudantes, as viaturas não foram compradas e os órgãos de justiça não se mobilizam para corrigirem os desvios, algo está errado. Ou o problema está em mim, que sou cego o bastante para não entender a lógica do poder. Quem sabe estou anestesiado juntamente com a multidão dos pais, mães e educadores, que se contentam com restos do que se chama educação, dignidade e cidadania.