Leio
livros que me dizem onde lhe encontrar e sem rumo desenho mapas, construo
trilhas na ilusão de poder pelo menos sentir que você está e na dúvida, sigo
adiante, implorando que um dia você cruze o meu caminho.
Ouço
palavras, que me explicam você, e obstinado, rascunho um dicionário de
significados, que dizem tanto de tudo menos de você.
Já me
disseram que você não tem limites e que não cabe nos meus sonhos, mas ao mesmo
tempo, ouço dizer, que você é tão ínfimo, que os olhos humanos, mesmo os mais
lindos não lhe enxergam de verdade, porque só lhe vê quem o faz com o coração.
Fiz
um jardim para lhe agradar, mas as flores caprichosamente se negaram desabrocharem,
cúmplices de você, que insiste em estar sem se revelar.
Acenei
à lua dos amantes para que me ajudasse a ter você nem que fosse por um
instante, ela desdenhosa me olhou, como a
dizer: “sem noção! Não vê que quem
você busca não se deixa tomar”?
Fui
à imensidão, olhei em quase todas as direções e o silêncio num grito ensurdecedor
me sussurrou: “o que você procura não está aqui, porque o que busca você já tem
e vive em você”.
Por
isso decidi fugir de mim para encontrar você. Não me importa o tempo que vou
levar, eu o tenho para eternidade.