Até
um mês atrás, pude acompanhar o sofrimento desta Nação Indígena de perto, agora,
de longe percebo que a realidade é ainda mais gritante e cruel. No dia 13 de
Setembro, no meu discurso de abertura da 43ª Assembleia da CRB MS, ao falar da
luta dos Guaranis, me recordo que as palavras fugiram e me vieram as lágrimas. Daqui
de onde estou, estas lágrimas me veem ainda mais seguido, pois estou
acompanhando a causa e a luta deste povo, a partir do pouco que me chega via
face.
Sinto-me
verdadeiramente envergonhado com o que se está fazendo com um povo que não tem
medo de lutar e muito menos morrer pelos seus ideais de Nação. Somos todos
Guarani-Kaiowa, mesmo quem não tem sangue indígena, tem a cultura indígena e
ser da cultura é fazer parte da família. Um país como o nosso, altamente
miscigenado como pode negar o direito natural de que os donos desta Terra
possam desfrutar daquilo que lhe pertence não por herança, mas por pureza de
origem.
Como
compreender mobilizações para ajudar as vitimas das catástrofes naturais pelo
mundo e cruzar os braços diante do desaparecimento de uma Nação? Paradoxo? Parece,
mas não é. Como compreender que empobrecidos, desgarrados, sem terras, sem reconhecimento
algum sejam capazes de darem razão a quem ameaça e não só, mas mata Indígenas? Como
professar uma fé no Deus da vida, Deus dos pequeninos, dos fracos e abandonados
e se calar diante de estupros, abusos, mortes de inocentes nas aldeias indígenas?
O evangelho
fala dos dois maiores mandamentos: Amar
a Deus com toda a tua alma e com todo o teu coração; e, amar ao próximo com a
ti mesmo. Um país onde a maioria esmagadora do povo é cristã não pode
silenciar diante de um genocídio anunciado aos POVOS INDÍGENAS, mais
especificamente aos Guarani-Kaiowa. O povo sobe ao patíbulo e os seus concidadãos
silenciam. A sorte é lançada e quase ninguém faz nada para impedir o golpe
fatal. Ao contrário, muitos seguem aplaudindo num gesto vil de submissão a um
poder diabólico e degenerado que conseguiu empedernir não só as consciências de
miseráveis, mas se apossou também das suas almas.
Não
são os pequenos que na calada da noite articulam satanicamente acordos espúrios
para eliminarem os indígenas. Não são os motoboys, que se reúnem em aconchavos
para usarem e abusarem do corpo de uma indígena. São os donos do poder. Aqueles
que desejam possuir a vida e o destino dos pobres. Infelizmente os pobres ainda
os aplaudem, choram por eles, brigam por eles nas ruas, se matam por eles. Se o
povo brasileiro não tomar coragem e subir ao patíbulo com os Guaranis, num
futuro não muito longe será execrado pelos seus próprios rebentos, amaldiçoado
pela geração vindoura.
Não
abençoe esta ação. Não reze pelos algozes. Evite que eles cheguem ao patíbulo. Abrace
a causa da NAÇÃO GUARANI-KAIOWA.
Somos
todos Guaranis. Estamos todos no patíbulo. Vamos lutar contra o poder dos
nossos algozes. SALVEMOS OS NOSSOS ANCESTRAIS.