Em apenas quatro dias tivemos a grande
ventura de nos encontrarmos novamente com Educadoras e Educadores de
Marituba, Jacundá e Belem, no Estado do Pará. Com certeza esses encontros foram
momentos de muita graça de Deus, porque refletimos sobre o nosso fazer
pedagógico. Voltamos o nosso olhar para o mais interior de nós mesmo para nos
redescobrirmos na essência daquilo que acreditamos: Educadoras e Educadores Calabrianos
que fazem a diferença.
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“Mestre é aquele que
de repente aprende!” Todo/a educador/a ainda que inconsciente já ouviu e refletiu sobre esta
frase de Guimaraes Rosa, muito utilizada pelo Grande Mestre Paulo Freire.
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Quando alguém é reconhecido/a como
mestre/a, significa que a sua vida e as suas escolhas não são comuns. São
diferenciadas. Os/as mestres/as não perambulam pelos caminhos dos deuses, pelo
contrário, caminham pelas estradas dos homens e das mulheres do seu tempo. Vislumbram
horizontes velados por circunstâncias não óbvias, mas prováveis.
Para o/a mestre/a não existe o nunca quando
existe uma probabilidade. Existem sim paciência, tempo de espera e
perscrutação. O/a mestre/a de verdade não desiste só porque há perigos ou ameaças.
Diante das adversidades à verdade, agiganta-se e se insurge contra tudo aquilo
que insiste em lhe dizer que não.
O/a mestre/a não é um/a androide ou
quem sabe um/a mutante. É uma pessoa, com todas as prerrogativas que tem um ser
humano. Sente. Apaixona-se. Adoece. Ama. Odeia. Morre. Tudo isso acontece na vida
de um/a mestre/a da mesma maneira como acontece na vida de qualquer mortal. Mas
o seu jeito de olhar, tocar e viver isso tudo, é que faz dele/a, alguém para
além do comum. A sensibilidade e perspicácia de um/a mestre/a torna-o/a uma
pessoa que faz a diferença.
O/a mestre/a além de tudo, desenvolve
como próprias a espiritualidade e a mística. Não se suporta apenas com o
conhecimento das letras. Seu alicerce vai para além das escritas ou de outros
elementos sensíveis aos olhos e ao tato. O/a
mestre/a de verdade, sente e enxerga com o coração. Lá onde os pés não
podem chegar e a mãos não alcançam tocar, ele toca com a sensibilidade de um
coração, algumas vezes, marcado pela dor e pelo sofrimento, mas recheado de sentido e de compaixão.
Mestre/a e educador/a se confundem.
Porque quando verdadeiros/as eles/as são a mesma pessoa. Não há como separar um/a
do/a outro/a. Todo/a mestre/a é ao mesmo tempo um/a educador/a. Educador/a gerado/a
nas entranhas do “educere” trazido/a luz pelas mãos do cuidado, amparado pela
atenção do saber amar.
O/a educador/a não se submete à
mesquinhez do regrado, da proforma ou da remuneração. Mesmo reconhecendo nestes
aspectos, elementos fundamentais para sua vida, não os transforma em vitais e
sabe muito bem que a sua pessoa, o seu ser estão acima de tudo aquilo que se
possa ser reconhecido por um humano mortal, que não é capaz de perceber na vida
a imortalidade da existência.
Muitas vezes quando professores/as se
reúnem sempre correm atrás de fórmulas mágicas que resolvam suas angústias com
um toque de magia. Esquecem-se que o encanto está exatamente na busca de
resposta dentro de si e do outro. Quando estes/as professores/as se tornam educadores/as
e descobrem isso, suas vidas se tornam significativas de tal modo que não se
possuem mais. Tudo o que fazem e pensam, direcionam ao bem do/a outro/a na
certeza de que tudo que vai retorna.
O/a educador/a que também é mestre/a
desenvolve em si o que a vida tem de mais
sagrado, a capacidade interna de evoluir. Evoluir é ir além do mundo que
está a nossa volta. É avançar para patamares jamais antes alcançados.
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A afirmação Sou
educador/a calabriano/a, posso fazer a diferença, pode soar num primeiro
momento como um quê de arrogância, porém quem realmente tem em si a consciência
do que é ser educador/a calabriano/a não se sente assim, pois se visualiza a
partir desta realidade de diferente não porque é melhor que os outros, mas
porque acredita no milagre da
transformação, o que lhe dá a convicção de jamais desistir de alguém só porque tem uma história difícil ou um gênio
mais assertivo
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