O fenômeno Brasil Político está
revelando uma síndrome, que a gente talvez nunca se tenha dado conta: “o pular
fora”. Quando vejo gente que militou nas esquerdas, arriscou-se em batalhas
para conseguir dar uma guinada na vida e na consciência do povo, se bandeando
para o outro lado, não só,
mas apostatando sua crença de que tinha razão no que
defendia, me assusto, porque pode ser que estivesse cego todo esse tempo e a
gente tenha sido sempre assim e eu não enxergava. Quando “ex-petistas” correm
para os holofotes das TVs ou para as redes sociais, achincalharem o seu partido
de origem; PJteiros, que se renderam aos encantos e brilhos do ganho fácil de
um cabresto ou às promessas mirabolantes do pentecostalismo eu me pergunto: por
que eles estavam ali? Quais eram seus verdadeiros objetivos? Aonde desejavam
chegar pessoalmente? E essas perguntas valem também para as religiões e para a
vida a dois e para todas as circunstâncias da vida.
Com isso não quero dizer que as
pessoas não devam optar por outras coisas, ou por outros caminhos, longe de mim
tal ideia, mas quero dizer, que só porque não consegui os objetivos que sonhei,
não posso demonizar o lugar que até há pouco tempo me encontrava e bradava ser
o melhor do mundo. Uma coisa é você descobrir novos caminhos e investir nestes,
todas as suas fichas; outra coisa é você fracassar por incompetência própria ou
por ironia do seu destino e achar, que os que ficaram são ruins e que só
aqueles, que lhe seguiram ou lhe apoiaram nas suas novas tentativas são maravilhosos.
Como pode alguém criticar um governo que há questão de seis ou sete meses atrás
foi periciado pelas urnas, em um sufrágio universal até provar em contrário,
transparente? Como pode alguém criticar o Papa Francisco só porque não mudou
ainda as regras da igreja para favorecer seus projetos pessoais? A vida, as
instituições não são times de futebol, que a cada derrota, cai um técnico ou
vendem-se jogadores. A vida é muito séria e não pode ser tratada com leviandade
e mediocridade. O Brasil não é um time de futebol, onde os cartolas lavam seus
subornos; mesmo assim a gente mistura tudo, e confusos, desvirtuamos até as
nossas utopias; pior ainda, decretamos que nada mais é para sempre: amor só é
amor enquanto durar a paixão; amizade vai até onde você será útil para os meus
intentos; e, valores só são valores se me beneficiarem. E então, a alegria
desaparece e a festa só vale se for artificial, porque não se pode festejar de
graça ou por felicidade, porque esta também já não existe mais.
Será que estamos doentes? O que
fazer para não ser contaminado pelo maldito vírus do “pula fora”?